Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho
(O Leãozinho - Caetano Veloso)


Quinta-feira, Novembro 06, 2008



o corpo (louco de rua, de lua, de trago)
é jogado
num canto não escolhido
num verso não trabalhado

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Domingo, Julho 13, 2008



um pouco de Bandeira
te deixa com eira e beira


notas:

na cabeça a geléia
comi com pão a idéia

---

o rabisco faz zum no disco

---

Morreu de Hiato

deitou sobre
a folha do papel em branco
antes de assinar sua mortalha certa
- flecha certeira disparada -
apagando o branco da folha
com rubro

(desmiolando o esmiuçar do deslumbro)

aniquilando a possibilidade da prosa
do sangue espirrado
sem qualquer inspiração
na folha, inda fez uma rosa

---

Gabriel, leva o Bukowski na marmita

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Sexta-feira, Março 21, 2008


sexta-feira santa

agora tem um móvel
no lugar das marcas na parede
... e tenho as marcas
imóvel

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Segunda-feira, Janeiro 07, 2008


dois poemas sobre: àlen

a cada dia que pensou em mim
rasgou mais a casca escrota
coração roto

me fez teus momentos
teus beijos
teu sexo
tua tristeza
e a tua suposta frigidez

e se odiei, por vezes, teu signo
é porque não sei das minúcias necessárias
(dos recortes)
para te traduzir, e te amar loucamente

a cada verso que me dedica
lhe dedico outro
pena que não sabemos do nosso amor
senão faríamos versos sobre ele

---

a menina das terças
e seus dramas certeiros
ferem como flecha
relâmpago
com a gravidade de um bocejo

e se tuas frases bonitas
submergir em sinuosidade?
exigiria de mim as verdades
perdidas no campo de Dédalo

e se Hicaro voasse mais longe
e alcançasse o continente?
talvez o teu lábio candente
fundisse os meus beijos de cera

és mulher de Câncer
aguardando sua hora na vida
de lhe sarar as feridas
com um amor sem recortes

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Segunda-feira, Dezembro 10, 2007



vou me recolher
juntar os cacos e tacar na cama



por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quinta-feira, Outubro 11, 2007


Ma Belle

Olhou-me nos olhos e disse: “- O que eu gosto mesmo é dos teus bagos!” Disse a palavra bagos com todas as letras, como quem diz re-fri-ge-ran-te, só que se referia aos meus grãos. Não que tenha me aborrecido ela dizer assim, mais depois de dois anos - Michelle às vezes dizia coisas esquisitas, palavras que não combinavam com ela – eu me culpava por não ter me habituado a sua espontaneidade, mas depois de dois anos dizer que o que gosta mesmo são os meus bagos. E eu acreditei tanto! Ela persistia para dormir com a mão no meu sexo, e eu sempre entendi como um gesto de carinho. Se me dissesse de outra forma, mas não, disse a palavra bagos com mais de cinco vogais. Retribui com um: “- Eu também gosto da sua menininha.” Mas não abiscoitei a mesma entonação.

Quando dormíamos juntos, ah. Michelle realmente tinha hábitos estranhos. Quando acordava refletia, sempre matutava sobre o próprio sonho. Não podia falar com Michelle quando acordávamos, era ensejo para uma rudez errática. Depois de uma briga voraz - falei e ela se desconcentrou de parte de um sonho com tubarões - aprendi a dormir sempre duas horas depois dela, assim, só acordava quando ela já havia se organizado. Procurou tubarão num Pocket Dicionário de Sonhos e me falou sobre um sentimento forte que lhe ameaçava, e que conseguiríamos superar todas as nossas dificuldades. Eu chafurdava numa profunda melancolia por não entender o que ela queria dizer. E repetia, enquanto beijava a tua boca com gosto de mate e biscoito integral, eu quero você, eu amo você.

Dali a dois dias fiquei sabendo do Igor. Me disse que ele tinha nome de Defensor, e que isso só nos perpetraria mais conectados, que tínhamos que superar esse momento transitório e que foi só uma cobiça muito forte e-que-não-é-adequado-o-ser-abdicar-de-suas-vontades e que eu entender isso era imperativo para que nosso relacionamento transcendesse as barreiras do banal e que a sociedade nos coage a crer que a felicidade é limitada, mastigada, engolida e... Oh, Michelle como eu gostaria de compreender seu léxico amoroso. Mas depois veio o ThiagoQueEraTãoAlegre e o Djalma-alma-alma. Esforcei-me para abarcar em seu mar e amar, Michelle, AMAR. Mais sonhastes com tubarões ainda mais outra e mais outra vez.

E eu acreditei tanto, Michelle. Nos parágrafos hasteando a palavra liberdade em caixa grande e negrito, e nos teus incensos e tua saia florida. No teu sorriso libertário, nas digressões de Schopenhauer a Mahatma Gandhi, nas carreiras de cocaína pelos banheiros dos bares e as expansões astrais. Libras em escorpião, você justificava! E ficaríamos por toda a eternidade apiedados um do outro, num acordo astrológico, num pacto de sangue, de amor, de mãos dadas, de estrelas dadas. Mas você me disse que o que gosta mesmo é dos meus bagos. Depois de dois anos devorando os teus sapos e você os meus, suportando minhas chatices, meus excessos, minha aridez. Você diz, como quem diz que gosta de refrigerante, que só consegue amar meu maldito saco! Michelle, eu te amo toda, e não só a sua bendita boceta, será que você entende o que eu quero dizer?

“- Eu também gosto da sua menininha!” Eu disse, mais não com a mesma intenção. Patético, pateta, palhaço, acreditei. Ela sorriu sinuosa, libertária, desprovida de qualquer culpa. E eu acreditei tanto, Michelle. Caminhamos em silêncio as quadras que restavam, ela abriu a porta do apartamento eu tirei da mochila uma garrafa de gin, abri com os dentes e dei um trago. “- Onde você conseguiu gin?” ela perguntou. Não respondi nada. Refestelei-me no sofá e tirei o tênis, achei uma ponta de baseado no cinzeiro... acendi. “- Porque você está tão jururu?” Ela perguntou. Tossi a fumaça e passei a bagana pra ela. “- Comprei gin. Bebe.” Disse. Ela deitou no meu colo, pegou a garrafa, sorveu. Coloquei a mão por dentro da sua saia até tocar a renda, um pacto. “- Michelle, eu te amo!” E beijei os lábios dela embebidos em gin, torpor. Ela apertou meu pau e respondeu: “- E também te amo. Te amo muito.”

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Segunda-feira, Setembro 24, 2007


era de cera... será?

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quinta-feira, Setembro 20, 2007


andando em círculos
e
dando com a cara nos mesmos postes

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quinta-feira, Agosto 09, 2007


reticências

Deixe-me saber mais sobre tua vida, sobre tuas paixões, e sobre tudo, sobre tuas dores... para que eu me encante por cada agonia e me apaixone por teus extremos... Quero saber de tuas dores medianas e dividir a heroína em doses esclarecedoras... e então não será necessária a metafísica do amor para nos consolarmos... teremos os beijos, as carícias, os desesperos, o sexo... Teremos nossas próprias loucuras, num bar qualquer, e porque não, em todos os bares... E não será necessária a heroína, a agonia a dor...

Poderíamos tomar um chopp, qualquer dia... dividir carências... e esperar, de mãos dadas, que as rejeições terminem todas em reticências.

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Domingo, Julho 22, 2007


Tem uma valsa em meu estômago, o ponto de partida já partiu, e, agora me resta o leque. O leque aberto, oferto e... inútil. É como ter o leque aberto e não saber mais se abanar.
Eu já falei do meu estomago? E das pontadas, heim? maldita valsa.

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Terça-feira, Julho 17, 2007


À minha filha chamada Lua:

Ela brinca sobre as perninhas, engatinha no jardim (era tempo de dar quimeras, entre outras flores) e dançava junto das margaridas, com seu vestidinho branco e amarelo. Os seus olhos lembram os de minha morena. Os meus agora buscavam os de Tais. De relance, perscrutar os olhos de sua mãe, procurando um brilho de saudade. De amor, quiçá? e danço entre as margaridas, entre os olhos que são um só, uma memória só. Uma Avenca Que Partiu... E lhe convido novamente pra dança, pra roda gigante. Descobri (tarde?) que preciso da roda, preciso de vocês. Que não posso ser o-poeta-sem-o-amor... amo a solidão, mas não é o suficiente, Tais, não é! Ó, pequena Lua, desculpe-me por tantos erros, por ser tão Sôfrego, por não conseguir ser solitário, por sentir falta de mim mesmo, deculpe-me. Desculpe-me, amorzinho, pela pílula do dia seguinte, entre outras tristezas! Estou grávido de um futuro que não desejo, e não conheço mais nenhum método para o aborto.

O tempo está feio hoje, da janela do apartamento vejo a chuva, tento apagar junto com o cigarro a memória de minha morena, luz que não se finda no fundo do cinzeiro.

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Domingo, Julho 15, 2007


Ávido

aguardo em meu naufrágio
deitar em teu liquido casto
afogar meu passado vil
âncora por qual me arrasto

fui Sôfrego!
abracei o primeiro copo
agarrei o primeiro corpo
amei? tive medo!

(paro com o poema, acendo um cigarro, hesito da esquerda pra direita,
ajeito meu cabelo
cortado, deixo o Ulisses Tavares em paz e sangro em ml's exatas)

o gozo está submerso

entreguei-me ao orgasmo
beijo teu sexo e...
amo incondicionalmente

ó, Greluda do Mar

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Sexta-feira, Junho 29, 2007


O RENASCIMENTO

O Mesmo – Parte II

Lambia porque era preciso quebrar algo, romper algo, surpreender, mudar. Sugar a suculenta espiga do humanismo era meu modo de provar que todos eles estavam dentro de mim. Uma forma de Deus composto de secreção das glândulas, muco, útero, excremento, placenta, transpiração. Acido desoxirribonucléico.

O sêmen de Deus me possuía em uma espécie de trepada com meu próprio Eu, refletido no semblante de derrota de cada integrante do coletivo. Enquanto os olhares inquisidores me puniam, eu gozava em meio às labaredas das piras do Mercado de Flores.

Rita, meu amor! Por que abandonou minha mão, assim? Ela não entendia. Antes da porta do vagão se fechar, ela me disse: “Estou grávida”. E se foi.

A Via-Cruz

Nesse momento um fio de saliva escapou da ponta da minha língua, escorrendo tênue pelo ferro. Deslizando por toda extensão do apoio de ferro do trem. Eu bebia na fonte do pudor, chupava a imensa boceta do universo. Renascia quebrando de dentro para fora a casca do conformismo. Estava nu, livre dos pecados. Livre da moléstia eterna do pecado original.

Será que alguém entendia? Meus dentes começaram a ceder as bruscas mordidas no arrimo. Meu sangue estava convidado a fazer parte da coreografia, emanando da boca, lascivo, tingindo o assoalho e inundando, a pancadas, todo o vagão do trem.

Presos na decrépita realidade Mãe, todos boiavam em meu sangue, e só tinha uma escolha: ou cortar o cordão umbilical, ou morrem afogado.

O Mesmo – Parte I

A máquina se aproxima do homem. O homem aguarda ansioso o clímax, o momento em que o homem se funde a máquina. Na plataforma, pessoas seguindo a mesma linha. O homem se aproxima da máquina. As portas se abrem e, em um gesto empírico, o homem entra na máquina. As portas se fecham.

O calor ilustra círculos escuros nas axilas dos passageiros, mormaço humano. Marasmo. Rita me beija e sorri. Algo me incomoda. Rita precisa saber que estou farto de tudo, das pessoas – da máquina – do mundo, e até dela mesmo. Eu preciso fazer alguma coisa.

Os passageiros dependurados no varão da máquina. Alicerce, algoz e redentor. Antes da porta do vagão se abrir eu beijei a barra de ferro da máquina, só por que era preciso fazer alguma coisa. É preciso fazer alguma coisa!

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quinta-feira, Março 29, 2007


vai fundo
lá late o cachorro do mundo

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quarta-feira, Março 14, 2007


Gim com tônica

Esquina esquina, esquina em vão. E subo a Aurora, Bukowski na mão esquerda, a direita ansiosa, aguardando, onde cruza São João com Aurora, pra acender o cigarro. Os cinco minutos que antecedem, o: crachá igual à maquiagem, elevador/nariz vermelho e zás! Algumas horas de oficio-pré-ócio, menos pior é assim pensar. Sol pra amor de verão nenhum botar defeito. Quantos dedos valem uma long-neck gelada? Debato-bato-me em frente ao micro, sempre micro aguardando promoção à macro. E o tédio aguardando ascensão à noite.

Quaisquer porção me cala. Calabresa defumada versus batata frita, o duelo do ano. Será que ela me pega hoje na porta, (após o Sr. Expediente escrachar-me) achoquenãoqueachoquesim, e só acho. Certeza é um saco. Pausa pra tomar um vento & café e fumar um cigarro. Fritas, hoje é fritas! Hora e pouco e saio, menos digno do que diria Descartes.

Olhos grandes me fitando, como se eu estivesse a fim de esconder-me, não iria. Atravesso o Marquês de Itu, e tudo fica blue. Good my god! "O que quer fazer?" ela pergunta. "Sei não, pensei em nada." Sméck, smack. "Que tal uma cerveja morna?" Penso. Porque ninguém é de ferro/ NINGUEM É DE FERRO!

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quinta-feira, Janeiro 11, 2007


estou preso em minha cadeia de carbonos

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quarta-feira, Dezembro 20, 2006



gargalo é o ralo ao contrario

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Domingo, Maio 14, 2006


virei abismo
e ninguem caiu nessa

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Segunda-feira, Novembro 21, 2005


Chorava por vaidade,
passou anos dependurada na borda do poço,
vazio. Tentando ver teu reflexo.

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quinta-feira, Outubro 06, 2005



quem ri por ultimo
Mi menor

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Domingo, Agosto 28, 2005



ME

VIVERSO

VIVER

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Sábado, Julho 30, 2005


bob

levava tudo ao pé da letra
um dia
levou sapatos!

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quarta-feira, Junho 29, 2005


JURÁSTICO

Ninguém sabia ao certo a origem do boato, porém, estava confirmado. Alguns diziam que foi um fixista fanático que roubou um museu, outros comentavam sobre intriga alemã ou dos soviéticos. Biólogos, evolucionistas frustrados, loucos... uma rede de tv afirma ser terrorismo. O fato é que -seja qual for sua origem -todos os fósseis encontrados até hoje são farsas.
Os americanos sempre estavam envolvidos nas pesquisas, nas escavações, sempre que encontravam algo tinha um americano no meio, tudo foi catalogado e forjado. E essa é a única afirmação concreta independente da teria. A culpa é dos americanos!
Estava provado e assim foram fechados todos os museus para analisar o fato. Falsificações de todos os gêneros, algumas tão baratas que podiam ser identificadas a olho nu pelos mais entendidos. Como não suspeitaram de nada antes? Todos os tipos de materiais foram usados, durepox, betume, super-bonder... variava conforme o pais e a fantasiosa origem do fóssil. A humanidade está chocada. Será que eles pisaram mesmo na lua? Aposto que foram eles que desenvolveram o vírus da aids num laboratório numa tentativa de costruir uma arma biológica para terceira guerra mundial... e assim está o clima no nosso planeta, se é que existe algum planeta, foram destruídos alguns Mc Donald´s, boicotes aos produtos americanos, cabeças sendo caçadas, e, ninguém sabia mais nada sobre o passado. Surtos religiosos, políticos, científicos, greves em universidades publicas, mortes por ataque cardíaco. Sabe tudo aquilo que sua vó falava sobre Deus? agora faz mais sentido, causa mais medo, e essa é a palavra certa: medo! Ou talvez seja angústia, já que, nada mais é certo...

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quarta-feira, Junho 08, 2005



SINA

Andava desolado, a irônica placa o feria com a simpática frase:
AQUI MORA A FELICIDADE!
Tocou a campainha, ninguem atendeu.

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Sábado, Maio 14, 2005


Os Cantos

o canto
encontra
meu corpo

sozinho
encontro-me
oco

chorando
eu só
ouço o eco

do seu
soluço
num canto

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quarta-feira, Abril 20, 2005


O SÚTIL ASSASSINATO DO AMOR

(o transeunte pergunta para a menina simpática)
-Ei! o que está acontecendo com seus olhos?
-Como assim?
-Como assim o que?
-O que tá acontecendo! heim?
-É muito estranho...
-O que?
-Seus olhos.
-O que é que tem meus olhos?
(o transeunte chama o rapaz que estava sentado na grama)
-Ei! vem cá.
-O que foi?
-Olha nos olhos dela...
-Nossa! como você consegue fazer isso?
(a menina simpática)
-Isso o que?
-Com os olhos...
-Isso o que?
-Como o que?
-Fazer o que com os olhos?
(o transeunte insiste)
-Ei! Você não sente nada?
-Sinto.
-O que?
-Um monte de coisas.
(o rapaz que estava sentado na grama arremata)
-Agente sempre esta sentindo alguma coisa! Se não é bom é ruim, parece que não tem um meio termo.
(o transeunte pergunta meio perplexo)
-Meio termo do que?
-Dos sentimentos, emoções, paixões...
(a menina simpática pergunta)
-E quando agente não tá feliz nem triste?
(o rapaz que estava sentado na grama afirma)
-Ai agente esta com fome ou com frio.
(o transeunte resmunga)
-Ei! eu tô com fome.
(a menina simpática diz com simpatia)
-Eu não estou, mas queria tomar sorvete.
(o transeunte da as informações meteorológicas)
-Mais ta frio.
(a menina simpática entende)
-Já sei! Você não esta feliz nem triste.
-Ham???
-Nada, nada.
(o rapaz que estava sentado na grama exclama)
-Agente devia tomar sorvete!
(a menina simpática)
-Não posso!
-Por que?
-Porque ele disse que esta frio.
-E daí?
-Não sei, aprendi assim, tá frio não posso tomar sorvete!
-Agente não pode não poder.
(o transeunte não entende)
-Ei! você é louco?
(o transeunte sai atônito)
(silêncio os dois se olham como se fossem tomar uma decisão)
(o rapaz que estava sentado na grama pergunta)
-Você está apaixonada?
-Por que?
-Seus olhos...
-O que é que tem meus olhos?
-Tem um brilho muito bonito.

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Quinta-feira, Abril 07, 2005



a rima pobre:
sentou no bar
tomou um ar
voltou pro lar

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Segunda-feira, Abril 04, 2005




VONTADE:
QUE VONTADE
DE ESTAR À VONTADE
PRA FAZER O QUE DER VONTADE


por: QLEBER PAGON

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Sexta-feira, Março 25, 2005



Vinho em água


Tarde de domingo. Faísca voa em direção ao rosto. A mascara protetora. Garoa fina. Ele parece não querer ajudar. A garoa fina contrastava com as labaredas que dançavam ao ritmo do solidário homem que soldava o portão.
-Querem me prender em casa... Ele só quer se divertir, viver uma infância que todos desconhecem.
O homem solidário continua atrás da mascara. Todos estão atrás de mascaras, se protegendo, desconhecem o motivo de tanto medo.
-Tenho que correr, eles estão levantando o portão, preciso fugir, descansar, me isolar, voltar para o deserto, fumar um cigarro, conhecer uma pessoa, conhecer o amor...
-Não! Não...
O sino não!
Como um milagre o sino tocava ao mesmo tempo em que a garoa cessava e o portão estava em pé. Inabalavelmente lacrado.
O homem solidário tira uma de suas mascaras. Vai visitar ele. Todos vão visitá-lo nessa tarde. Fazer sua hipócrita visita semanal. E ele entra, e se esconde nos olhos de uma imagem cabisbaixa e sangrenta de um herói derrotado.


por: QLEBER PAGON

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Segunda-feira, Março 21, 2005



Pensei em apagar, mas preferi mudar!

por: QLEBER PAGON

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Como assim

Acordou e saiu de sua gaveta, como fazia todas as tardes de outubro. Era verão, e o frio o atormentava o fêmur. A primeira reação que teve após abrir os olhos, foi fecha-los novamente e dar alguns passos, tateando, até a parede texturizada do jardim que lambeu freneticamente, até escorrer sangue do céu da boca. Sangue áspero! Sentiu um gosto de defunto, teve vontade de matar. Pegou a serra elétrica de sua mãe, cortou duas árvores, um arbusto, sete ou oito rosas, os braços do seu irmão e o videogame. Estava suando e com fome, comeu o creme anti transpirante, enquanto um camelo entrava na cozinha para beber água. Foi conversar com os insetos, não gostava muito das baratas, são muito coloridas e brilhantes. Avistou uma. Matou com a testa! Saiu para sala de estar, tinha um formigueiro no lustre. Conversou um pouco sobre geopolítica, acabou comentando sobre a colorida e brilhante barata que tinha matado... Percebeu que uma formiguinha chorava, acho que ficou viúva! Disse que ao matar tinha sentido uma dor estranha, uma espécie de pontada de dentro pra fora, bem no meio da testa. Poderia ser uma espinha ou ele estava enfim virando um unicórnio. Parou, ficou inerte, estático, pasmo por alguns anos, pensou:
Peraí... Unicórnios não existem.

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Domingo, Março 06, 2005




ESTOU JOGANDO CARA OU COROA,
NO mEU MUNDO SEM GRAVIDADE.....

por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?









Domingo, Fevereiro 20, 2005


Um brinde à Putaque Nospariu

Champanha francesa lambrecando o tapete persa,
orgia burguêsocapitalista,
sem preconceitos de raça gênero e filo

Enquanto tramamos em seda um plano
espreita escoria escárnio
sem dinheiro farinha ou ternura

Ainda temos meia dúzia de cervejas mornas
pouco nos lixando e morrendo de inveja
de todo modo
somos os derrotados mais espertos do mundo


por: QLEBER PAGON

baço e roto, notas?










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